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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Hegemonias (resumo incompleto)

Inicialmente as lógicas capitalista e territorialista de acumulação de poder eram concorrentes sendo a segunda predominante no sistema europeu. Com o sucesso do capitalismo das cidades-estados italianas o capitalismo foi gradualmente sendo integrado ao territorialismo.

O uso da força em simultaneidade ao exercício da liderança moral é essencial ao estabelecimento de uma hegemonia. O uso somente de força gera dominação. A condução do sistema de estados numa direção desejada é característica da hegemonia, pois ao somente atrair outros estados para a sua via de desenvolvimento (no caso, Holanda), o estado mais forte acaba fortalecendo os outros criando assim condições favoráveis ao aparecimento de um outro estado que esteja mais disposto a tomar a hegemonia. O caos do sistema organizacional demanda ordem e o estado que puder suprir essa demanda pode se tornar hegemônico.


As cidades-estados italianas exerciam seu capitalismo tentando harmonizar com o sistema medieval vigente. A falta de um controle maior sobre os circuitos de comércio fez com que as oligarquias italianas perdessem sua hegemonia econômica para outros países que descobriram rotas alternativas de comércio. A falta de “tato” quanto a identificar questões sociais e a concentração somente na acumulação de capital também contribuíram para essa perda.

Tamanho era o caos (guerras e revoltas contra o Estado) à época do aparecimento da hegemonia holandesa que fez com que o capitalismo se tornasse o sistema mundial em detrimento do sistema de governo medieval. Foi acordado um limite para as hostilidades de modo a proteger o comércio. As Províncias Unidas apoiaram a destruição dos últimos focos de resistência desse sistema, tendo sempre buscado formas de não deixar que os conflitos chegassem a proporções incontroláveis, de modo a não permitir que seu comércio ou finanças fossem abalados, assim conquistando o consentimento moral dos outros estados: proteger o comércio era o interesse comum.

Um controle maior das redes financeiras fez com que a Holanda lucrasse com a competição comercial entre estados. Tão logo se firmou como estado mais forte, a Holanda teve de enfrentar Inglaterra e França, que tentaram incorporar suas redes (comércio e finanças) aos seus domínios. Logo depois a estratégia usada contra as cidades-estados italianas foi utilizada também contra a Holanda: não conseguindo controlá-la diretamente, tentou-se o controle de suas fontes.

A Inglaterra deu um grande passo em direção ao predomínio mundial ao transformar sua desvantagem insular na luta pela hegemonia europeia em vantagem na competição pela hegemonia e economia ainda maior nos custos de proteção. Tendo também ajudado o fato de ter sido organizadora da aliança para o restabelecimento das condições do tratado de Vestfália criado à época da última hegemonia. O que difere uma da outra é que a Grã-Bretanha tomou a liderança dessa aliança, restabeleceu os direitos e depois o modificou a ponto de transformá-lo em outro sistema com menor força dos monarcas (maior “democracia”). A Inglaterra então “ressuscitou” o territorialismo e uniu-o ao capitalismo expandindo-os, ao mesmo tempo, além dos limites anteriores.

O estabelecimento do padrão ouro foi uma tentativa de controle dos meios de pagamentos e concentração destes na Inglaterra. A crise sistêmica da hegemonia inglesa se deu pela competição do imperialismo tardio alemão e gerou os conflitos armados da primeira guerra mundial, e com o encerramento desta surgiu no palco o próximo país a colocar ordem no sistema mundial: os EUA. Essa crise tinha como base a exclusão dos colonos não europeus e das classes europeias não proprietárias, exclusão essa que gerou diversas revoltas sociais.


Com o tamanho cada vez maior dos conflitos e sua dependência direta das indústrias, o proletariado ganhava cada vez mais poder de barganha e de pressão sobre o estado, e assim as revoltas sociais se intensificavam. Esses conflitos pioraram depois da 1ª guerra e culminaram na segunda. Dentre as principais causas da 1ª guerra está a incapacidade da Alemanha em converter sua estrutura militar-industrial em domínio comercial e financeiro.

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