As estruturas sofrem mutações através dos tempos, mas permanecem existindo. Como a inter-relação entre aluno e professor, especialmente no âmbito organizacional do Estado moderno. Por exemplo: a maneira como um aluno nativo de uma cultura x interpreta sua cultura é diferente da maneira como um aluno de outra cultura (y) vai interpretar a cultura x.
Do mesmo modo que um professor interpreta de maneira diferenciada essa mesma cultura x, dependendo do nível de instrução que esse professor adquiriu, do local onde esse professor adquiriu o conhecimento sobre essa cultura, passando inclusive pelo que esse professor deve ensinar aos alunos: ou seja, um professor universitário não vai abordar as especificidades da cultura x para alunos de 5ª a 8ª serie, pois a própria sociedade e o Estado convencionaram que esse aluno deve ter um conhecimento mais generalizado, menos específico.
Os papéis desempenhados pelos indivíduos dentro das instituições (formadoras da sociedade) exigem um determinado grau de conhecimento (por exemplo: o nível de conhecimento de um professor tem que ser, obrigatoriamente, maior que o do aluno, mesmo que somente em determinada instância, pois se o nível do aluno for maior ou igual ao do professor a relação professor-aluno se desfaz passando a existir outra que passa a ter denominação própria) e postura (comportamento) que difere de um individuo para o outro, dependendo do status desse individuo, sendo, a postura, inerente ao próprio status. Basicamente: os requisitos mínimos exigidos pelas instituições formadoras da sociedade para que um indivíduo exerça o “papel” de professor universitário diferem dos requisitos mínimos que são exigidos para ocupar, esse mesmo indivíduo, o papel de professor do ensino fundamental.
Por exemplo, um professor interpretaria determinado símbolo da forma que seus recursos permitem; as exigências que foram feitas ao nível de conhecimento desse professor para que ele alcançasse o status de professor dentro de determinada instituição transformam a maneira como ele vê determinado símbolo, dentro do seu próprio raciocínio através do tempo; esse professor vai interpretar determinado símbolo de maneira diferente de quando ocupava o status de aluno; assim como interpretará determinado símbolo de formas diferentes dependendo do status que ocupe em determinado momento do seu dia. Um "símbolo com forte apelo sexual", por exemplo, ele como professor terá a obrigação e não sentirá nenhum pudor em “desnudar” ou expor esse mesmo símbolo perante seus alunos, observando todas as especificidades que forem apropriadas para determinado status de aluno (fundamental, médio ou universitário), mas ao assumir o status de pai, por exemplo, ele pode decidir se deve ou não expor seu filho ao mesmo símbolo.
Um agricultor, que tenha obtido somente o conjunto de exigências básicas inerentes ao papel que desempenhará dentro desse status, pode e vai interpretar o mesmo símbolo de maneira diferente da que o professor, anteriormente citado, o faria. O conjunto de conhecimentos exigidos desse agricultor para que ele exerça esse status na sociedade é diferente do conjunto do professor. Ele vai interpretar o símbolo (explorado anteriormente nesse mesmo texto) da maneira que lhe permitem seus conhecimentos, muito provavelmente ligado mais à praticidade de determinado símbolo, dentro da especificidade da cultura onde ambos se encontram inseridos (ou seja, levando em conta os valores que sua própria cultura atribui ao símbolo em questão). Status diferentes, papéis diferentes, culturas diferentes, interpretações diferentes.
Por exemplo, “uma santa sangrando pelos olhos aparece em um noticiário”: um agricultor procuraria, como explicação, dar mais atenção ao caráter místico do fato prestando menos atenção a um possível caráter científico, devido ao seu próprio conjunto de conhecimentos ser mais limitado pelo próprio status ocupado por ele, sendo um conjunto muito mais ligado à prática. Já um professor ou outro indivíduo que tivesse um status que exigisse um conhecimento mais científico buscaria ou daria mais atenção ao lado científico da reportagem. Tendo que, obviamente, se levar em consideração o local e sua cultura própria, por exemplo, as exigências do papel de “homem do campo” no Brasil, diferem, mesmo que somente em alguns poucos aspectos, das exigências que são feitas ao agricultor de outros lugares.
Como conclusão eu penso que os status desempenhados a nível profissional e pessoal na sociedade influenciam-se mutuamente dentro de um mesmo individuo, ou seja, o individuo não consegue separar completamente um papel do outro. Um professor que desempenha no momento o papel de pai não vai simplesmente deixar o papel de professor de lado, tendo esse papel de pai absorvido algumas características do papel de professor e vice-versa, E ambos sendo influenciados por uma cultura comum com a qual cada um se identifique.
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