Páginas

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

As "três" instâncias do impedimento

     Querer fazer. É simples assim. Quero então faço. Não ligo se não posso. Se alguém ou algo talvez tente me impedir, não ligo. Faço porque quero. "Não conseguir" sequer é uma opção. Nem me passa pela cabeça. Quero então é óbvio que consigo. Do mesmo modo que não quero então não faço. Minha vontade é minha lei. A lei. Minha única lei. "Querer é poder". Saia do meu caminho enquanto pode porque se "quero" faço ainda que tenha que passar por cima de você. Passar por cima dessa sua ilusão de poder a que você chama de vontade. Sua vontade só existe enquanto eu permito. Enquanto o meu "querer" não cruza o seu caminho mais direto. Quando passo a querer dobro, parto e destruo essa sua ilusão.
     Poder fazer. Posso. Eu posso. Soberbo. Supremo. Posso; escolho quando e se faço. Acima de tudo, poder. Um leque aberto das mais variadas opções. Sempre abertas e insinuantes para mim. Nunca uma porta fechada. Poder é controle. Poder é escolha. Poder é ter a vida aos seus pés. Ter o mundo a seus pés. Ter quem quer que seja aos seus pés. A vontade dos outros não importa. Afinal o que é a vontade diante do poder. Diante das opções ilimitadas por tempo ilimitado. A vontade é uma ilusão que para quem "pode" traduz-se em impotência de quem acha que a tem. A vontade é uma miragem diante do poder. Miragem de quem não tem poder. A ilusão de ter algum poder diante de quem tem real poder.
     Conseguir fazer. Consigo. Sim, consigo. Mas quero? Afinal não estou só. Nada que faço afetará só a mim. Não depende de mim, querer atingir, machucar, afetar outros. Querer somente não basta. "Pular de cabeça" simplesmente porque quero. Sem ligar para os outros em redor. Sem ligar para nada nem ninguém. Sem ligar para as consequências. Achar-se só quando em verdade nunca se está só, mas também nunca se está junto... Para conseguir fazer, querer somente não basta.
     Conseguir fazer. Consigo. Sim, consigo. Mas quero? Então quero. Mas posso? Poder é supremacia. Poder é querer e conseguir conjugados. Posso sim, então só cabe a mim decidir o quando e o onde. Nada é capaz de me impedir. Porque eu posso. É a possibilidade sempre em aberto. Ninguém é capaz de me impedir. Ninguém? Quem? Só eu que "posso" existo. Os outros são meras ilusões. Arremedos de existência. Obstáculos a serem ultrapassados. Poder é isso. Poder sem responsabilidade, sem discernimento, sem consideração, sem controle, sem auto-controle, sem racionalidade é só abuso, violência, selvageria. Poder depende do objeto... E se o objeto é o "poder" em si?
     Quero, posso e consigo. Mas faço?