A Crise de 1973: um “último gás” para a economia da URSS
A Guerra Fria e a politica de contenção foram responsáveis pela crise do petróleo de 1973. O apoio norte americano a Israel contra a coalisão árabe liderada por Egito e Síria (que por sua vez tinham apoio da URSS), gerou a retaliação da OPAEP (organização contendo somente os produtores árabes, que por sua vez eram a maioria, dentre os membros da OPEP). A crise do petróleo é, portanto, um reflexo direto de um dos episódios das guerras árabe-israelenses. Episódio este que, devido ao contexto político e estratégico (e, por que não, ideológico) da Guerra Fria não poderia deixar de ter a participação dos rivais da época, sendo que os lados já estavam definidos, pelo menos, desde o golpe de 1952 no Egito.
A OPEP já vinha diminuindo a oferta de petróleo gradualmente desde a sua criação, para alcançar os objetivos que tinha traçado desde a comprovação de que o petróleo era uma fonte não renovável além de aumentar o valor dos royalties pagos pelas transnacionais que exploravam esse recurso também passou à sua utilização como elemento estratégico e de barganha na economia internacional. Essa atitude reflete-se na desproporção entre os volumes das reservas totais desses países e a quantidade exportada por eles. Este processo de maior controle, nos anos seguintes ao conflito do Yom Kippur, terminaria por fomentar algumas nacionalizações de empresas deste setor, dentro dos países membros da OPEP.
É notório que a coalisão árabe atacou primeiro no evento da “Guerra do Yom Kippur” (evento mais imediatamente responsável pela crise do petróleo de 73). O suporte soviético através da venda de armas ao Egito e aos países árabes se deu como única opção para estes, pois embora tentassem se tornar independentes, participando inclusive da Conferência de Bandung (Egito e Síria), não possuíam os recursos bélicos para iniciar ou manter uma guerra. Este apoio da URSS acabou gerando, em contraste, o apoio norte americano a Israel, pois os EUA não poderiam permitir uma maior influência soviética sobre a área devido aos recursos energéticos estratégicos que ali se localizam, o que acabou por desencadear a retaliação da OPEP, nos meses seguintes ao fim do conflito.
Embora a “guerra” tenha durado somente vinte dias o petróleo teve um aumento de aproximadamente 400% nos cinco meses depois do conflito. Esta retaliação árabe contava com apoio das opiniões públicas dos países membros da OPAEP por entenderem que o petróleo que exportavam acabava por permitir o apoio americano e a resistência israelense. A retaliação dos países árabes exportadores de petróleo em resposta ao apoio americano a Israel se deu na forma de embargo: redução da, já decrescente, oferta e aumento dos preços, um duro golpe nos principais países consumidores: EUA, Japão e países da Europa Ocidental. Este embargo afetou também a URSS, mas de um modo diferente: como um dos maiores exportadores mundiais desta “commodity” a união soviética pôde lucrar muito com a crise.
Resumindo: o apoio da União Soviética aos países árabes, que eram maioria na OPEP, pôde fazer com que os EUA entrassem no conflito apoiando Israel. Isto fez com que a OPEP acabasse por “trabalhar” a favor da URSS, aumentando os preços além do normal e diminuindo a produção fazendo com que a economia soviética obtivesse enormes lucros com as exportações de seu próprio petróleo e, com essa crise, aumentasse seus dividendos externos, fazendo com que o regime socialista alcançasse uma sobrevida naqueles anos de 1970.
Pode-se considerar também essa maior inserção soviética no mercado internacional como um prenúncio da abertura econômica que se seguiria nas décadas seguintes. Outro ponto é o de que diminuição na oferta causou o incentivo a várias buscas por outros locais onde a extração do petróleo fosse possível. Causou também um maior desenvolvimento tecnológico na busca por fontes renováveis. É difícil conceber que estes resultados (conflito e crise) não tenham sido minimamente previstos na época ou até mesmo considerados como inevitáveis pelas duas superpotências devido às tensões existentes na área.
Trabalho por: jcap.rj, graduando do curso de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário da Cidade - UNIVERCIDADE. Unidade Ipanema, 1º período, turno: noite
Referências:
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Nota: Este trabalho foi realizado mediante interpretação dos fatos ocorridos durante o período da Guerra Fria, utilizando-se os conhecimentos sobre a política internacional da época, adquiridos durante as aulas de Temas Contemporâneos, durante o primeiro semestre de 2011.
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