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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ódio

     Odeio o que esses tempos modernos fazem às pessoas...Não que eu seja "vintage" e ame coisas velhas... Longe disso, muito longe... Não conheço uma pessoa que seja mais interessada em tecnologia do que eu, mas não estou interessado muito na parte de desenvolvimento, embora me excitem as inovações ao ponto de aumentarem a minha, já alta ansiedade, segundo minha antiga professora de História das Ideias: o grande mal do mundo moderno do qual todos sofremos em diferentes intensidades. Dessa tecnologia eu estou mais interessado no que ela pode fazer por mim, mesmo que eu não possua grana para comprá-la: são as possibilidades que me deixam entusiasmado quanto à tecnologia e seus admiráveis avanços. [...]

    Desculpem o devaneio... Meu ódio pelos tempos atuais deve-se à necessidade de aumento ou manutenção de altos níveis de produção (em especial a intelectual, mais valorizada na sociedade de hoje) que é exigida das pessoas que queiram manter seus empregos e sobreviver nesse mercado de trabalho. Não digo que eu não consiga fazer isso ou quer seja totalmente errado... O que digo é que a maioria das pessoas não consegue mais separar o ritmo da vida pessoal do compasso acelerado da exigente vida profissional. Não critico as causas disso... Reclamo de um dos efeitos: o "querer para agora" como se não houvesse amanhã. Um imediatismo que não condiz com avanços na vida social, como aumentos na "qualidade" e na expectativa de vida. É como se todos estivessem desesperados para viver, como se a vida acabasse amanhã; mais: como se avida acabasse no próximo minuto.

      Às vezes não entendo essa relação de aumento da expectativa de vida e aumento quase proporcional do imediatismo, em especial na vida pessoal. Antes morríamos mais jovens (ou menos velhos... como você vê?) e o ritmo de vida era muito mais lento, hoje, vivemos mais e corremos para aproveitar o máximo do mundo antes que ele acabe... Não somos imortais, mas me espanto com os riscos que a juventude de hoje corre. Tudo pela experiência, mesmo que no fim sequer haja uma lembrança dessa experiência. Isso talvez tenha origem na máquina: quanto mais tempo "funcionamos" mais do mundo nos vemos obrigados a "processar" sem reter nada. Uma  necessidade de nos equipararmos às nossas criações (tecnologia), que vemos como o próximo passo evolutivo: não podemos nos tornar máquinas mas podemos nos integrar a elas "funcionar", através da integração, no mesmo compasso da máquina; claro que sempre com a esperança inconsciente de não perdermos aquilo que nos difere da máquina. Humanos? Quantos somos? E em quais momentos somos? Certamente não todos e com certeza nunca em todos os momentos.

     Será que estamos todos nos tornando as máquinas que criamos para nos ajudar, para nos entreter? Máquinas de carne que buscam a satisfação do prazer (ou ilusão de assimilação do mundo...) a todo o momento e em cada momento, como se não fosse haver uma próxima oportunidade? Nem me atrevo a colocar o termo "redes" nessa baia de reclamações que exponho aqui... É isso. O texto se chama ódio, mas poderia muito bem chamar-se exposição de ideias. Não é minha intenção tentar adivinhar como isso vai terminar...

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